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Como isto do orgulho daqui do Burgo, anda meio afectado, há que puxar a brasa pelo outro lado. Aceitando o desafio que me foi feito pela Miss Rititi, aka "Ser fabulosa é fodido", passemos à mesa.
O motivo da desaguisado é a mítica Francesinha.
A dita nasce, dizem, da evolução do croque madame, alimento de ceia ou merenda mas "que era pouquinho… e nun enchia". A coisa foi consertada e o prato ganhou nas carnes, na cobertura de queijo e no molho unificador. E aqui aparece a primeira característica que o define. É um prato "compostinho", "redondo", sem desperdício nem exagero. A francesinha original, pode ser merenda ou jantar. Não enche mas satisfaz. As variantes modernas pecam, por vezes, por romper este equilíbrio.
Como todo o que é genial, a coisa é simples: Duas fatias de pão de forma, linguiça, salsicha fresca, carne assada ou bife (a carne assada é melhor, por ser mais leve), queijo fatiado finamente, tudo dentro do pão, menos o queijo que ficará a cobrir "de forma a dar a envolvência". Composto o ramalhete dos ingredientes e coberto com o queijo, leva-se para uma prensa aquecida e com uma placa, para não queimar.
Depois vem o molho. Existem várias versões, todas com polpa de tomate, louro, caldo de carne e algum tipo de álcool. Não me quero alongar sobre isto. Parece-me que o molho deve ficar com quem o faz. As francesinha ganham ou perdem no molho. O molho é que derrete o queijo e o faz envolver o pão e os ditos ingredientes. Cada restaurante, tasco ou cervejaria que serve francesinha, tem o seu molho. Um mais puxado para aqui outro para ali. O molho é o juiz do cozinheiro. Gosto de vários e acho isso do absolutismo dos molhos, um bocado empobrecedor. Tal como os experts da Francesinha me parecem uma tontice. A coisa é simples e despojada demais para ter experts. Prosseguindo, o molho é a única variável verdadeiramente potenciadora da francesinha. Isto se excluirmos a batata frita, quando desejada (normalmente quando é uma refeição, aparece sempre a "travessinha de batatinha"). Ainda há quem invista tudo no molho e depois morra na praia com batata de pacote, o que é como dizer "que ceira Son" em vez "fica-te bem o vestido, Conceição". Adiante.
Depois da explicação, vamos à inspiração. A francesinha é bem desenhada, porque serve para merenda ou para refeição, não enche mas convence e é, também por isso, recompensante, porque sacia mesmo a fome, quando estamos que não podemos; é salvadora, quando o copo começa a trepar a destempo e os sais do molho nos baixam os fumos, enquanto o pão enxuga o álcool; é delirante porque é normamente boa, mas há dias em que se excedem e até batemos no tecto; é confratenizadora porque ninguém diz "vamos comer uns pézinhos de coentrada depois do jogo", enquanto que a variável com francesinha, serve como desculpa para qualquer encontro de amigos; é um prodígio da imaginação ao serviço da culinária prática, porque incrementou um prato sem o complicar; é multifunções porque admite que pequenas variáveis (para além do molho) se misturem pacificamente, como o camarão surpresa da Cufra ou a variante com bife de lombo (mais aconselhável ao jantar); é mais uma 4L com pinta, do que um ferrari ou um bentley, por ser boa, funcional e muito digna (por isso também, pelo exagero, é que as versões tunning com mil ingredientes, não vingam); é um nome engraçado; é um ícone deste burgo e é recomfortante porque sabe a casa;
Desta última só me apercebi, quando voltei de muitos meses fora do Porto e de Portugal e me pareceu mais que natural, ir comer uma Francesinha à Cufra. Nenhum fundamentalismo, como de tudo que seja bom e de todos os cantos do mundo… mas é como dizer carago no fim das frases, sai naturalmente.
Como isto do orgulho daqui do Burgo, anda meio afectado, há que puxar a brasa pelo outro lado. Aceitando o desafio que me foi feito pela Miss Rititi, aka "Ser fabulosa é fodido", passemos à mesa.
O motivo da desaguisado é a mítica Francesinha.
A dita nasce, dizem, da evolução do croque madame, alimento de ceia ou merenda mas "que era pouquinho… e nun enchia". A coisa foi consertada e o prato ganhou nas carnes, na cobertura de queijo e no molho unificador. E aqui aparece a primeira característica que o define. É um prato "compostinho", "redondo", sem desperdício nem exagero. A francesinha original, pode ser merenda ou jantar. Não enche mas satisfaz. As variantes modernas pecam, por vezes, por romper este equilíbrio.
Como todo o que é genial, a coisa é simples: Duas fatias de pão de forma, linguiça, salsicha fresca, carne assada ou bife (a carne assada é melhor, por ser mais leve), queijo fatiado finamente, tudo dentro do pão, menos o queijo que ficará a cobrir "de forma a dar a envolvência". Composto o ramalhete dos ingredientes e coberto com o queijo, leva-se para uma prensa aquecida e com uma placa, para não queimar.
Depois vem o molho. Existem várias versões, todas com polpa de tomate, louro, caldo de carne e algum tipo de álcool. Não me quero alongar sobre isto. Parece-me que o molho deve ficar com quem o faz. As francesinha ganham ou perdem no molho. O molho é que derrete o queijo e o faz envolver o pão e os ditos ingredientes. Cada restaurante, tasco ou cervejaria que serve francesinha, tem o seu molho. Um mais puxado para aqui outro para ali. O molho é o juiz do cozinheiro. Gosto de vários e acho isso do absolutismo dos molhos, um bocado empobrecedor. Tal como os experts da Francesinha me parecem uma tontice. A coisa é simples e despojada demais para ter experts. Prosseguindo, o molho é a única variável verdadeiramente potenciadora da francesinha. Isto se excluirmos a batata frita, quando desejada (normalmente quando é uma refeição, aparece sempre a "travessinha de batatinha"). Ainda há quem invista tudo no molho e depois morra na praia com batata de pacote, o que é como dizer "que ceira Son" em vez "fica-te bem o vestido, Conceição". Adiante.
Depois da explicação, vamos à inspiração. A francesinha é bem desenhada, porque serve para merenda ou para refeição, não enche mas convence e é, também por isso, recompensante, porque sacia mesmo a fome, quando estamos que não podemos; é salvadora, quando o copo começa a trepar a destempo e os sais do molho nos baixam os fumos, enquanto o pão enxuga o álcool; é delirante porque é normamente boa, mas há dias em que se excedem e até batemos no tecto; é confratenizadora porque ninguém diz "vamos comer uns pézinhos de coentrada depois do jogo", enquanto que a variável com francesinha, serve como desculpa para qualquer encontro de amigos; é um prodígio da imaginação ao serviço da culinária prática, porque incrementou um prato sem o complicar; é multifunções porque admite que pequenas variáveis (para além do molho) se misturem pacificamente, como o camarão surpresa da Cufra ou a variante com bife de lombo (mais aconselhável ao jantar); é mais uma 4L com pinta, do que um ferrari ou um bentley, por ser boa, funcional e muito digna (por isso também, pelo exagero, é que as versões tunning com mil ingredientes, não vingam); é um nome engraçado; é um ícone deste burgo e é recomfortante porque sabe a casa;
Desta última só me apercebi, quando voltei de muitos meses fora do Porto e de Portugal e me pareceu mais que natural, ir comer uma Francesinha à Cufra. Nenhum fundamentalismo, como de tudo que seja bom e de todos os cantos do mundo… mas é como dizer carago no fim das frases, sai naturalmente.

6 Comments:
Existe no site da vitriolica um post recente brilhante sobre a francesinha... procura em www.unkemptwomen.blogspot.com
Depois de ler isto fiquei com a sensação de que ainda ainda não vivi... nunca provei uma francesinha...
Tenho uma marcada para amanhã, só porque sim. És servido? :)
(Nos pezinhos de coentrada há duas coisas de que não gosto: pezinhos e coentros! Isto de ser tripeira, tem que se lhe diga!)
Biba a Francesinha :-)
carago...
Pois eu cá prefiro a Portuguesinha que é cá da terra.
Muito Bom Post.
P.S. Considero a Cufra um dos melhores restaurantes do Porto.
Abraço
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